domingo, abril 19, 2009
O retorno da pizza ou a pizza do retorno
domingo, março 22, 2009
As nossas são melhores
O bom de ter experiências do outro lado mundo é dar valor para a própria cultura. Sempre tive a impressão que tudo no hemisfério norte funcionava melhor que no Brasil – mas não é bem assim. Aliás, que bom, porque em vários assuntos podemos dar aula para quem quiser aprender.
Um desses assuntos é atividade física. Para ser mais direta, corrida. O povo aqui não é profissional como em São Paulo, onde os grupos de corrida são bem estruturados, com treinos regulares, preparação, corridas planejadas. Aqui os grupos de corrida praticam uma vez por semana à noite e depois vão beber nos pubs. E a maioria corre sem orientação, sai correndo o quanto agüentar e pronto. Os instrutores das academias não estão nem aí, já que eles também não são lá os melhores exemplos de preparo. Um curso de duas semanas já habilita uma pessoa a ser instrutora de ginástica.
Bem, o fato é que após um longo e tenebroso inverno de seis meses parada por causa do meu problema na coluna (tem também o inverno daqui que não é mole), voltei a correr devagarzinho há um mês e decidi participar de uma corrida de rua em Leeds. É muito diferente. Começou às 10h30 da manhã, (no Brasil é sempre às 8), fez 7 graus (primavera começou ontem, 21 de março) a inscrição é feita pelo correio (não tem internet aqui?), não distribuem água no percurso e tinha só umas 200 pessoas. Para as corridas de São Paulo que têm no mínimo 2.000 pessoas, é uma grande diferença.
Aqui não se ganha medalha e só ganha camiseta de algodão quem chegar até o final, não é nem de dry fit e nem colorida – branca mesmo. E água só no fim também, não tem gatorade nem frutas. O preço? 9 libras, um pouco mais barato que no Brasil, dá uns 35 reais. Mas não tem nem a metade da organização.
De qualquer forma foi divertido, percurso dentro de um parque, com muitas subidas, muito verde, pouca gente, tudo medido em milhas. Foram só cinco, o que dá uns 8 quilômetros, quando eu vi já tinha acabado. Planejei fazer em 55 minutos, para ir devagar e sempre, mas quando a gente põe um número no peito, não tem jeito... fiz em 42 minutos. Vamos ver o que a minha coluna diz amanhã.
Em tempo: acabei de descobrir que tirei o primeiro lugar na minha categoria!! Recebi um troféu e um voucher de 20 libras pelo correio! Imagine se eu fizesse os tempos que fazia há seis meses....mais uma prova que eles realmente não treinam!
sábado, fevereiro 21, 2009
Sob controle
É verdade que nevou durante dois dias e algumas ruas e estradas ficaram bloqueadas em função da neve, com temperaturas de -3 ºC. Mas nada que precisasse de tanto alarde, tenho certeza que na Rússia e no Canadá a situação é muito pior. É verdade que eu pareço um pacote andando na rua, mas dá para agüentar, não é tão complicado porque a temperatura não muda muito – varia entre mais frio e menos frio, oscilando entre 0 e 5 graus.
O fato que é neve é muito bonita quando cai, é muito leve e não cai em linha reta, vai ziguezagueando pelo céu. Mas eu garanto que é mais bonita ainda olhando pela janela e com o aquecedor ligado. Quando vejo a neve caindo, penso: “Lá vou eu escorregar de novo”...parece a piada do português quando vê a casca da banana a três metros de distância, hheheeheh!
Por outro lado, eles são bem otimistas com relação à duração do inverno. O frio aqui começa em outubro e vai até abril, ou seja, a maior parte do ano. Mas a liquidação de inverno já foi e só se vê roupas de verão e meia estação nas lojas. Vai entender....
segunda-feira, janeiro 19, 2009
Brazilian way

Descobri que o Brasil aqui é referência em beleza. Primeiro que tem um tipo de depilação aqui que se chama Brazilian Biquíni, que é o equivalente à nossa virilha cavada. Segundo que descobri que a nossa famosa progressiva foi criada no Brasil mesmo e agora está chegando aqui, chama-se Brazilian Blow Dry. Só que eu não vou ser testemunha nem de um nem de outro, primeiro que o primeiro custa o equivalente a 70 reais e o segundo a 800 reais...desculpe, não vai dar para testar!
Aliás, tem várias coisas que tem nome de outros países que o próprio país não é informado. Aquele molho inglês que a gente compra no Brasil aqui eles chamam Oycester sauce. É exatamente o mesmo. O bolo inglês aqui chama fruit cake, mas eles não tem noção que a gente criou nomes para eles.
Falando em comida, o supermercado aqui é algo curioso. Você pode entrar com quantas sacolas de outras compras que ninguém liga. Na primeira vez eu fiquei apavorada, fui perguntar para o gerente onde deixava as sacolas e ele nem ligou, falou para entrar com elas abertas mesmo. Na segunda vez fui falar de novo e na terceira já desencanei, ninguém se preocupa com isso.
Tenho o prazer de anunciar que a novela da geladeira foi resolvida! Depois do último show de horror na própria loja, eles me ligaram propondo uma troca, no lugar de devolver o dinheiro. Topei e já estou com a geladeira aqui, funcionando bem! O jeito brasileiro deu certo.
domingo, janeiro 11, 2009
Caixas e crackers de Natal

Fim de ano é igual em todo lugar. Pessoas apressadas, trânsito, exagero de compras. Pura histeria coletiva, principalmente para um país que já anunciou estar passando pela crise mundial com muito mais dificuldade que os demais europeus. É igualzinho no Brasil. Tem crise, mas ninguém deixa de comprar. A diferença é que aqui que ninguém deixa para a última hora, as pessoas compram os presentes de Natal e enchem a geladeira de casa com antecedência. Saí no dia 24 de dezembro para fazer compras e as prateleiras dos supermercados pareciam uma terra devastada, não sobrou pedra sobre pedra.
Isso porque nada abre no dia 25 de dezembro. E nem no dia 26, é o tal do Boxing Day, feriado nacional. São várias as teorias das origens deste dia, mas a versão mais interessante que encontrei é que um dia depois de abertos os presentes de Natal, os mais abastados mandam as caixas para as igrejas com objetos para as pessoas pobres. Existe também a versão que as caixas abertas após o Natal serviam de proteção aos navios, durante as grandes navegações. O fato é que qualquer pessoa que você perguntar aqui sobre o que é o Boxing Day em Leeds, ninguém tem idéia, mas o importante é que é feriado. Por quê? Não interessa, é dia livre!
Ninguém faz nada na véspera de Natal, a não ser beber nos pubs (isso sim é que é importante aqui, vou ter de aprender a beber na marra, resolução de Ano Novo). No dia 25, as famílias almoçam juntas e abrem os Christmas crackers. Juro que eu pensava que era bolacha salgada, tem o mesmo formato, mas não é. Um maluco marqueteiro, um tal de Tom Smith, inventou o brinquedo no final do século 18 em Londres. As pessoas sentam lado a lado e puxam o breguete até rasgar no meio, quem conseguir ficar com a maior parte ganha o brinde e o chapéu de papel que vem dentro. No final está todo mundo de chapéu e com um brindezinho, tipo lixa de unha, ioiô, canetinha.
Quanta criatividade....tirando isso, a imaginação aqui vai longe, ninguém pergunta como foi o Natal e o Ano Novo, só pergunta o quanto você bebeu....
terça-feira, dezembro 23, 2008
Sem frio em casa

Estou sempre falando do meu choque cultural na Inglaterra pelas diferenças que sinto com o Brasil – mas posso perfeitamente falar também do meu choque cultural pelas semelhanças – o que é chocante também, porque sempre penso que estou no famoso primeiro mundo - tudo de ruim que tem aí tem aqui também.
Às vezes parece que não saí do Brasil, com a diferença que é tudo em inglês. Em São Paulo eu tinha a sensação de ter de lutar pelos meus direitos o tempo inteiro, no posto de gasolina, no supermercado, no restaurante, onde quer que eu fosse. Aqui eu pensei que seria diferente, mas é exatamente igual. Eles usam aquela famosa tática “se colar, colou”. Ou seja, se você não falar nada, eles te passam a perna o tempo todo.
Se você comprou alguma coisa com problema, eles tendem a achar que você que é o problema. Por exemplo, eu tenho uma geladeirinha, tipo minibar, que nunca funcionou, embora seja nova. Ela veio quando eu troquei de apartamento e faz quase três meses que estou brigando com a empresa para trocar a maldita. Eu sei o que vocês vão falar, está frio, você não precisa de geladeira, mas dentro de casa tem aquecimento, preciso sim da geladeira porque eu só tenho direito a uma prateleira na geladeira que divido com os aborrecentes.
Reclamei para a empresa, eles mandaram um técnico depois de duas semanas. O técnico avaliou que precisava de uma nova peça, que viria em uma semana. Claro que ninguém ligou para falar nada, eu liguei de novo e eles disseram que na verdade era melhor trocar tudo. Mas é claro que não ligaram de novo e recebi pelo correio a peça que deveria ser trocada. Veio o técnico de novo e constatou que a peça era maior que a original, não deu para trocar.
Aí eu tive que dar um show de horror por telefone, falei com um monte de gente e foi igualzinho aí – tinha de repetir toda a história de novo para cada um deles. Quando cheguei no terceiro atendente eu estava quase falando um palavrão em português mesmo e aí eu disse para ele me ligar porque eu não mais gastar dinheiro com ligações para esta empresa, que absurdo! Para minha surpresa o cara ligou de volta. No final ele ficou de trocar a geladeira no final de janeiro. O quê? Está louco, até meus iogurtes já estragaram. Então ele propôs me devolver o dinheiro e ficou de ligar para acertar tudo. Você ligou? Ele também não. Mas ele ainda não sabe com quem está lidando, eu tenho prática com gente que não funciona....enfim, a novela da geladeira ainda não chegou ao fim. Aguardem os próximos capítulos depois do Natal!
quarta-feira, dezembro 10, 2008
Merda branca
Todo mundo só vê as pingas que eu tomo, mas não vê os tombos que eu levo. Eu nem bebo e na semana passada todo mundo viu o tombo que eu levei no gelo – me senti uma pateta. Eu já tinha comentado com alguns amigos que o povo cai na rua quando a neve começa a derreter, até fiquei de tirar fotos das pessoas caindo – só que quem caiu fui eu, logo no primeiro dia que nevou....
Certa vez li uma piada pela internet dizendo que a neve era igual merda branca. Primeiro achei um absurdo, mas agora eu tive certeza, escorrega de verdade e você cai em cima dela, a única vantagem é que não tem cheiro. Quando cai muita neve, ela fica fofa e aí não tem perigo – o problema é quando cai pouco ou quando começa a derreter, é igual andar na pista de patinação sem patins! Só é romântico quando você está olhando a neve pela janela, bem quente dentro de casa....
Dou graças a Deus que não tenho carro aqui– pois se eu tivesse, não teria garagem, pois ninguém tem, e o carro ficaria coberto de gelo pela manhã....tem uma pazinha especial para remover o gelo do pára-brisa, e quando tem neve de atolar tem que levar uma pá mesmo. Imagina com quanta antecedência tem que acordar para toda essa mão-de-obra, sem falar que o carro tem de esquentar antes de sair, que nem os nossos carros a álcool do passado! Credo!
Aqui é impossível eu acordar antes das 8, estou fora deste trabalhão....
domingo, novembro 30, 2008
Happy Birthday
À direita, eu, a molecada e os amigos deles
Sempre chove no meu aniversário. Pode esfriar um pouco, mas nada dramático, um ventinho à toa. Frio de verdade é aqui, pela primeira vez passei meu aniversário com 5 graus de temperatura com direito a chuva e um dia bem curtinho, a escuridão chegou às 4 da tarde. Além do frio lá fora, frio humano também. As pessoas na universidade não esqueceram da minha data querida, mas abrir exceção para dar um abraço, nem pensar – no máximo um sorriso: “Happy Birthday, Estella”!! é, eles escrevem e falam com dois eles. Mas sempre de longe.
Aí eles perguntaram como ia comemorar. Eu respondi que seria com um bolo de chocolate. Tentei fazer aqui o mais próximo daquilo que eu sempre faço em casa, mas sem nenhuma pirotecnia, só chá e bolo. Quem quiser trazer alguma coisa, fique à vontade..... Chamei cinco colegas da minha turma (uma alemã, uma indiana, uma italiana, uma canadense e uma romena) e reservei a data com os pirralhos que moram comigo – sexta-feira às 4 da tarde a cozinha é milha, falou? Nem vem que não tem!
Claro que estava tudo uma bagunça e não era meu dia de limpar, pois fiz uma programação aqui na semana passada para cada semana dois limparem a cozinha – funcionou na primeira semana, que era a minha e de outra menina, mas na seguinte já estava um prato cheio para ratos e baratas – ainda bem que eles não descobriram onde eu moro. Sem eu falar nada, as responsáveis da semana prometeram que tudo estaria arrumado até o horário das minhas convidadas chegarem. Fizeram tudo pela metade, eu escondi a bagunça embaixo da pia e tudo bem.
Um sem noção (eles estão em todos os lugares, não é só no Brasil) fingiu que não entendeu e resolveu almoçar na hora marcada do meu encontro – só para ver quem é que vinha e escutar minhas conversas. As meninas até que respeitaram, mas o moleque não teve jeito. Olhei feio para ele e deu certo: Ele comeu rapidinho e foi embora, hahahaha! As minhas colegas trouxeram um bolinho com velinhas e tive direito a um Happy Birthday to you. Eu achei tão esquisito, foi a primeira vez que passei um aniversário em inglês, para não dizer que fiquei com saudades dos meus aniversários em português....
sábado, novembro 08, 2008
Potato, poteito, sun, san, cold......
A culpa é do frio. Onde já se viu fazer 6 graus durante o outono? É muito espontâneo, a primeira coisa que vem à cabeça é um palavrão. O curioso é que eles variam sozinhos, eu não planejo nada, tem dias que eles vêm em português, tem dias que vêm em inglês, o que, cá para nós, não tem muita variedade: fuck, fucking, fuck off, fuck you – só esses. Agora em português.....nem preciso fazer a lista de tudo que eu penso.
Enquanto os palavrões não variam, para compensar, todo o resto varia muito. Parece que estou aprendendo inglês de novo, depois de tantos anos. Em parte por conta do vocabulário britânico, em parte por causa do sotaque. Nas aulas eu vou anotando tudo que não sei para checar no dicionário depois, mas quando encontro alguém daqui falando alguma coisa estranha eu peço para explicar o que é – às vezes é uma palavra que eu já conheço com uma pronúncia diferente, às vezes é alguma gíria local, às vezes é uma gíria nacional....
Sabe aquela música “I say potato, you say potato....? é exatamente assim que eu me sinto. Eles não falam o a com som de “ei”, como a gente aprende no Brasil, e nem o u com o som de a. Eles falam tomato, potato e sun, não “san”!
Esse é só mais um dos paradigmas que tive de quebrar. Não falam eggplant, isso é americano, aqui é aubergine. Não pode falar downtow, é city centre. Não é garbage, aqui é litter, não é line, é queue. Sempre aprendi que o verbo commute é o correto para descrever deslocamento dentro da cidade, e não travel, este só vale para viagens. Aqui não tem nenhum problema com isso, fala-se travel para distâncias de 100 metros.
sábado, outubro 18, 2008
Mudança de hábito



Eu já sabia que minha vida iria mudar – nunca coloquei tanto em prática aquele velho ditado “Em Roma como os romanos”. Na Inglaterra como os ingleses. Fiquei até neurótica com o tempo também, consulto todo dia a previsão do tempo no site da BBC local, que dá uma visão de 5 dias, super sofisticado, até com a direção do vento! Só que eles sempre erram. http://www.bbc.co.uk/weather/5day.shtml?id=2575
Quando eu conheço alguém, controlo o ímpeto de beijar no rosto. Estendo a mão de longe e cumprimento. Ás vezes nem isso, pois para eles, quanto menos contato melhor. Parei de tomar café e substituí o pretinho básico pelo chá – como não tenho cafeteira, se eu tomar expresso nos cafés daqui eu vou a falência em um mês – custa o equivalente a 4,50 reais um único cafezinho!
Na hora de lavar a roupa, parei com o meu método de separar a roupa por cores. Só separo as brancas. O resto, vai tudo junto, lençol, toalha, camiseta vermelha, calça jeans, blusa preta, tudo num pacote só, para ficar mais barato. Seco na secadora, como eles, a roupa sai quentinha. Passar roupa? Estou fora, passa no corpo. Acabou essa escravidão de ferro de passar.
Bebo água da torneira, como só duas ou três frutas por dia e não trabalho. Essa parte realmente dá inveja: ninguém trabalha mais de sete horas por dia! Nada começa antes das 9h30, 10h00 e nada avança depois das cinco, nem os cafés do centro da cidade. Pensa que é dura a vida aqui? E para fechar fui para a praia de Blackpool hoje - com muito mais roupa do que o normal!
