domingo, novembro 30, 2008

Happy Birthday



As novas amigas (elas abraçam!!)
À direita, eu, a molecada e os amigos deles

Sempre chove no meu aniversário. Pode esfriar um pouco, mas nada dramático, um ventinho à toa. Frio de verdade é aqui, pela primeira vez passei meu aniversário com 5 graus de temperatura com direito a chuva e um dia bem curtinho, a escuridão chegou às 4 da tarde. Além do frio lá fora, frio humano também. As pessoas na universidade não esqueceram da minha data querida, mas abrir exceção para dar um abraço, nem pensar – no máximo um sorriso: “Happy Birthday, Estella”!! é, eles escrevem e falam com dois eles. Mas sempre de longe.

Aí eles perguntaram como ia comemorar. Eu respondi que seria com um bolo de chocolate. Tentei fazer aqui o mais próximo daquilo que eu sempre faço em casa, mas sem nenhuma pirotecnia, só chá e bolo. Quem quiser trazer alguma coisa, fique à vontade..... Chamei cinco colegas da minha turma (uma alemã, uma indiana, uma italiana, uma canadense e uma romena) e reservei a data com os pirralhos que moram comigo – sexta-feira às 4 da tarde a cozinha é milha, falou? Nem vem que não tem!

Claro que estava tudo uma bagunça e não era meu dia de limpar, pois fiz uma programação aqui na semana passada para cada semana dois limparem a cozinha – funcionou na primeira semana, que era a minha e de outra menina, mas na seguinte já estava um prato cheio para ratos e baratas – ainda bem que eles não descobriram onde eu moro. Sem eu falar nada, as responsáveis da semana prometeram que tudo estaria arrumado até o horário das minhas convidadas chegarem. Fizeram tudo pela metade, eu escondi a bagunça embaixo da pia e tudo bem.

Um sem noção (eles estão em todos os lugares, não é só no Brasil) fingiu que não entendeu e resolveu almoçar na hora marcada do meu encontro – só para ver quem é que vinha e escutar minhas conversas. As meninas até que respeitaram, mas o moleque não teve jeito. Olhei feio para ele e deu certo: Ele comeu rapidinho e foi embora, hahahaha! As minhas colegas trouxeram um bolinho com velinhas e tive direito a um Happy Birthday to you. Eu achei tão esquisito, foi a primeira vez que passei um aniversário em inglês, para não dizer que fiquei com saudades dos meus aniversários em português....

sábado, novembro 08, 2008

Potato, poteito, sun, san, cold......

Não adianta. Vocês nunca vão me ver de camiseta!



Todos os dias eu penso num palavrão. Coincidência ou não, é no momento que eu ponho o nariz para fora de casa. oh, fuck!!!
A culpa é do frio. Onde já se viu fazer 6 graus durante o outono? É muito espontâneo, a primeira coisa que vem à cabeça é um palavrão. O curioso é que eles variam sozinhos, eu não planejo nada, tem dias que eles vêm em português, tem dias que vêm em inglês, o que, cá para nós, não tem muita variedade: fuck, fucking, fuck off, fuck you – só esses. Agora em português.....nem preciso fazer a lista de tudo que eu penso.

Enquanto os palavrões não variam, para compensar, todo o resto varia muito. Parece que estou aprendendo inglês de novo, depois de tantos anos. Em parte por conta do vocabulário britânico, em parte por causa do sotaque. Nas aulas eu vou anotando tudo que não sei para checar no dicionário depois, mas quando encontro alguém daqui falando alguma coisa estranha eu peço para explicar o que é – às vezes é uma palavra que eu já conheço com uma pronúncia diferente, às vezes é alguma gíria local, às vezes é uma gíria nacional....

Sabe aquela música “I say potato, you say potato....? é exatamente assim que eu me sinto. Eles não falam o a com som de “ei”, como a gente aprende no Brasil, e nem o u com o som de a. Eles falam tomato, potato e sun, não “san”!

Esse é só mais um dos paradigmas que tive de quebrar. Não falam eggplant, isso é americano, aqui é aubergine. Não pode falar downtow, é city centre. Não é garbage, aqui é litter, não é line, é queue. Sempre aprendi que o verbo commute é o correto para descrever deslocamento dentro da cidade, e não travel, este só vale para viagens. Aqui não tem nenhum problema com isso, fala-se travel para distâncias de 100 metros.
E o pior, one person é uma pessoa, e a partir de duas pessoas se usa people, que é o plural, certo? Nem sempre. Pois no elevador aqui do prédio está escrito 10 persons. Socorrooooo! Quanto mais eu sei mais eu sei que não sei nada.

sábado, outubro 18, 2008

Mudança de hábito








Eu já sabia que minha vida iria mudar – nunca coloquei tanto em prática aquele velho ditado “Em Roma como os romanos”. Na Inglaterra como os ingleses. Fiquei até neurótica com o tempo também, consulto todo dia a previsão do tempo no site da BBC local, que dá uma visão de 5 dias, super sofisticado, até com a direção do vento! Só que eles sempre erram. http://www.bbc.co.uk/weather/5day.shtml?id=2575

Quando eu conheço alguém, controlo o ímpeto de beijar no rosto. Estendo a mão de longe e cumprimento. Ás vezes nem isso, pois para eles, quanto menos contato melhor. Parei de tomar café e substituí o pretinho básico pelo chá – como não tenho cafeteira, se eu tomar expresso nos cafés daqui eu vou a falência em um mês – custa o equivalente a 4,50 reais um único cafezinho!

Na hora de lavar a roupa, parei com o meu método de separar a roupa por cores. Só separo as brancas. O resto, vai tudo junto, lençol, toalha, camiseta vermelha, calça jeans, blusa preta, tudo num pacote só, para ficar mais barato. Seco na secadora, como eles, a roupa sai quentinha. Passar roupa? Estou fora, passa no corpo. Acabou essa escravidão de ferro de passar.

Bebo água da torneira, como só duas ou três frutas por dia e não trabalho. Essa parte realmente dá inveja: ninguém trabalha mais de sete horas por dia! Nada começa antes das 9h30, 10h00 e nada avança depois das cinco, nem os cafés do centro da cidade. Pensa que é dura a vida aqui? E para fechar fui para a praia de Blackpool hoje - com muito mais roupa do que o normal!

segunda-feira, outubro 13, 2008

Ilha de prosperidade X Pânico




É interessante ver como a universidade parece ignorar a crise. Às vezes eles mencionam algum fato sobre a cobertura da imprensa, mas não dedicam muito mais que isso para falar do problema – não vejo ninguém preocupado com a situação.

Fora deste meio eu ainda não tenho muitos contatos, mas a mídia aqui demonstra pânico em todas as esferas. Se pegarmos como exemplo dois extremos, como o The Guardian, de esquerda, e o Daily Telegraph, da direita, enquanto o primeiro anuncia hoje um aporte financeiro nos bancos britânicos da ordem de 37 bilhões de libras e as conseqüências para o consumidor, o Daily Telegraph já garante que os bancos estão sendo estatizados.

O único banco que não recebeu ajuda do governo foi o Barclays (onde eu abri minha conta, obaaa!!!) pois tem recursos próprios para administrar a crise, da ordem de 6,5 bilhões, mas já anunciou que não vai distribuir dividendos para os acionistas no final do ano. Se ele não utilizar nenhuma ajuda financeira do governo, será o único banco privado completamente independente de todo o Reino Unido.

Sobre os efeitos a crise, o Daily Telegraph mostra que os casais de baixa renda estão fazendo menos programas fora de casa e estão priorizando a diversão no lar. A Domino Pizza aumentou suas vendas em 20%. Isso já está trazendo um novo baby-boom em terras britânicas, já que as lojas especializadas em enxovais e roupas para gestantes já registraram um aumento entre 20 e 46% no último mês de vendas. A economia agora terá seu preço mais tarde.....

domingo, outubro 05, 2008

Downgrade








Uma das coisas que mais detesto fazer é mudar. E depois de 17 dias que cheguei já tive de fazer isso. Ah, mas é pouco coisa que você tem, você foi só com duas malas....Mas acontece que as coisas deram cria. Comprei uma terceira mala, uma caixa de plástico para colocar os utensílios de cozinha e ainda precisei de sete sacolas! E mais dois sacos plásticos de 100 litros para acomodar os dois edredons e travesseiros. Impressionante como dá trabalho montar e desmontar uma casa com tão pouca coisa – só comprei aqui um lençol, um jogo de toalhas. Além disso, só tenho duas xícaras, dois copos, duas panelas, dois pratos e talheres para duas pessoas.

O melhor de tudo vai ser pagar menos e morar mais perto da universidade, 10 minutos a pé! Mas tudo tem seu preço: é bem menor e vou dividir a cozinha com cinco pessoas, diga-se, adolescentes....mas vou abstrair. Ou eu bato neles todos os dias ou eles que vão acabar comigo, hehehehe!

domingo, setembro 28, 2008

English Food


Eu e o povo que comeu até explodir - frutas e porcaritos




Quem não gosta de uma boca livre? A holandesa do meu curso falou que os holandeses são o povo que mais gosta de comer de graça – aliás, eles gostam de qualquer coisa gratuita. Até eu que sou mais boba......

No dia da aula inaugural, o departamento de comunicação ofereceu um coquetel. Um monte de porcaritos, claro, mas tinha muitas frutas, exóticas e locais. Como eles gostam de jantar cedo, o evento era às 17h00....mas o povo comeu até arrebentar, para não precisar jantar. Afinal, está todo mundo com as libras contadas....

Semana passada teve um churrasco aqui no condomínio. Não tinha picanha não, era lingüiça vegetariana, lingüiça de porco e hamburger....no pão! Isso é churrasco??? Tinha salada e frutas também, mas nem de longe parecia o nosso churrasco.

Aliás, comer bem é uma dificuldade aqui, pois nos pubs e restaurantes ingleses eles oferecem muitos sanduíches e os English Specials – rosbife com ervilhas e batatas fritas, lingüiça com purê, bacon com ovos e ervilha ou fish and chips – ou seja, tudo é frito e com acompanhamento de batata, cozida, assada, frita ou purê. De quebra tem ervilhas, para ser bem criativo e dar um ar saudável de verde no prato. Para comer algo diferente disso, tem que ser restaurante indiano, chinês ou italiano. É, gastronomia não é o forte da Inglaterra.

quinta-feira, setembro 25, 2008

Tem sol na Inglaterra

Eu no tour da universidade. O prédio que eu vou estudar não é tão bonito, sabem como é a prioridade que dão para a comunicação....fica no terceiro andar do prédio da engenharia....Abaixo, o Hyde Park e a pista de skate. Já comecei minhas caminhadas no parque, não é tão grande quanto o Ibirapuera mas pelo menos é despoluído, hehehehe!
Eles falam que aqui faz só cinco dias de sol por ano - Estou no lucro, pois peguei quatro dias de sol em uma semana!











segunda-feira, setembro 22, 2008

Studio Flat






Mais fotos do studio flat onde estou morando - felizmente, não precisei dividir com ninguém e até tem bastante espaço, deve ter uns 40 metros quadrados. Eu sinto falta das tomadas normais do Brasil, tive de comprar um plug para adaptar meus aparelhos elétricos e queria o meu liquidificador e da minha sanduicheira, mas eu me viro de outro jeito até voltar. Um professor disse que aqui só faz cinco dias de sol por ano - estou no lucro, pois já peguei três dias de sol! - aproveitei para tirar algumas fotos do parque e da cidade.


O banheiro é algo ridículo, não cabe meu shampoo e eu ao mesmo tempo. Bato os cotovelos nas parades para lavar o cabelo, tenho de me conter e lavar o cabelo com os braços bem unidos ao corpo. Assim dá certo.







domingo, setembro 21, 2008

Choque cultural






Ainda estou atrapalhada– parece que só saí de férias, a ficha não caiu – são tantas informações que tenho de absorver em tão pouco tempo que a sensação de longo prazo não chegou. Mas por enquanto o que mais faço é observar as diferenças culturais. Algumas eu já sabia, como a obsessão de falar sobre o tempo, e o pior é que nem sei porquê, nunca muda! Perguntar sobre o tempo para um inglês é a mesma coisa que se indagar se o filho dele está bem. Eles até mudam de humor. Sempre faço isso quando chego na imigração, e desta vez não foi diferente, tanto que nem me pediram todos os documentos que levei.

À parte a complexidade do vocabulário sobre o tempo, a vida deles é muito prática. Limpeza é toda feita por cima, no flat que eu moro encontrei umas teias de aranha que nunca tinham visto uma brasileira antes, caso contrário estariam lá até agora. No supermercado, não tem guarda-volumes, e invariavelmente eu entro cheia de sacolas e ninguém fala para fechá-las. Fico angustiada, elas me atrapalham para fazer compras, mas eles não mexem uma palha para guardar nada. Nem por medo de roubo.

Na palestra da universidade sobre saúde, eles recomendam procurar um farmacêutico antes de procurar um médico. Surpresa – e ainda listam todos os casos que o médico deve ser poupado de pacientes, como os casos de vômito, diarréia, dor de cabeça, febre, gripe, dor de barriga, pequenos cortes. Ele está habilitado para orientar o melhor procedimento. Igual no Brasil.... só que os médicos não gostam nem um pouco da idéia.

Peguei um ônibus e perguntei ao motorista quanto custava a passagem. Ele disse que eu que devia dizer. Que engraçado, se me perguntar eu vou de graça. Ele percebeu minha surpresa e perguntou para onde eu ia. Falei o nome do lugar que estou morando e ele disse que não tinha idéia de onde ficava o lugar. A fila crescendo atrás de mim. Repeti o nome, pois achei que ele não entendia nada de pronúncia brasileira. Ele continuou sem saber e o pessoal da fila olhando feio, impaciente, até que ele se tocou e me cobrou 1 pound e 15 centavos. Sei lá se estava certo, só sei que da próxima vez vou dizer 50 centavos!

sexta-feira, agosto 08, 2008

Padaria virou boteco


Uma das coisas que eu mais gosto de fazer é bater papo com os amigos. Tanto faz se é na minha casa, na pizzaria, na casa deles ou na mesa do bar. Mas com essa prática de corrida, não combina muito sair à noite, voltar tarde e acordar cedo para correr. O que piorou com a lei seca. Porém, surgiu uma possibilidade que eu nunca tinha pensado: café da manhã na padaria.


Todos os sábados de manhã (não vou nem falar o horário para não pensarem que sou louca) eu corro com o grupo Run For Life na USP. Não sei bem como começou, mas num dia que eu faltei alguém teve a idéia de ir para a padaria. Na semana seguinte, quiseram repetir a dose. Eu tinha diversas coisas para resolver, pois sábado de manhã é dia útil para mim. Mas resolvi relaxar e deixar tudo para fazer à tarde, outro dia, sei lá, não é bom ficar em nenhuma camisa de força por causa das coisas da casa ou qualquer outra burocracia. Ninguém vai ficar doente, ninguém vai morrer, não vai acontecer nada. E passar um período agradável com pessoas que a gente gosta não tem preço. Período que vai até perto da hora do almoço....


E assim surgiu o GEP, parodiando o Grupo Especial de Performance – o André, um dos integrantes do grupo, disse que é o Grupo Especial da Padaria – e assim ficou. Agora é sagrado: saímos do treino do sábado e vamos à padaria comer pão na chapa com uma média, os mais lights vão no pão integral, frutas e suco de laranja. E as conversas são iguais as que rolam na mesa do bar sábado à noite, só que sem álcool!


Mas o importante é que o grupo está motivado, crescendo e tem todas as chances de continuar conhecendo novas padarias e novos cardápios todo sábado. O que é bem saudável para a mente, para o corpo e para o bolso. Até agora ninguém se aventurou a tomar uma branquinha com café....