
Antes de sair da Inglaterra, eu estava louca para chegar em São Paulo. Quando eu cheguei em casa, fiquei louca para voltar para a Inglaterra! Será que eu não sou de lugar nenhum? Na verdade tive um choque cultural inverso com o trânsito, a violência, o apagão, a chuva, as inundações, as filas e a falta de educação. Como eu estava numa cidade 20
vezes menor, todos esses problemas eram menores. Sem falar que a fama da chuva e umidade na Inglaterra não é nem pouco justa se comparada a São Paulo!

Na verdade, eu fiquei muito feliz em chegar e rever minha família, meus amigos queridos, meu cachorro, pois o que eu mais sentia falta era as pessoas, além da manga Palmer e do queijo branco. Mas acho que eu tinha me esquecido que a qualidade de vida aqui em São Paulo deixa muito a desejar, pois também não consigo ver meus amigos com freqüência, é sempre um grande esforço para marcar um encontro. Culpa da cidade opressora.
Em Leeds eu conseguia ver os amigos quase todo dia, o que eu achava muito prazeroso e imaginava que de alguma forma a situação iria se reproduzir aqui. Nada disso. Já faz dois meses que estou aqui e tem gente que não vi ainda. Apesar de tudo, a vida lá também não era perfeita, pois cria-se vínculos que de antemão todos sabem que são temporários, com exceção dos brasileiros. A Inglaterra parece o centro do mundo, onde vai gente do mundo inteiro, mas na maior parte das vezes a sensação é que nunca mais estas pessoas vão se encontrar de novo. As pessoas se instalam, estudam, cumprem seu objetivo e voltam para a terra natal. Como eu fiz, de volta para as origens. Mas aprendi que a vida é assim, é feita de ciclos. Quando ele se esgota ou se conclui, está na hora de começar um novo. Should I stay or should I go?