sexta-feira, agosto 08, 2008

Padaria virou boteco


Uma das coisas que eu mais gosto de fazer é bater papo com os amigos. Tanto faz se é na minha casa, na pizzaria, na casa deles ou na mesa do bar. Mas com essa prática de corrida, não combina muito sair à noite, voltar tarde e acordar cedo para correr. O que piorou com a lei seca. Porém, surgiu uma possibilidade que eu nunca tinha pensado: café da manhã na padaria.


Todos os sábados de manhã (não vou nem falar o horário para não pensarem que sou louca) eu corro com o grupo Run For Life na USP. Não sei bem como começou, mas num dia que eu faltei alguém teve a idéia de ir para a padaria. Na semana seguinte, quiseram repetir a dose. Eu tinha diversas coisas para resolver, pois sábado de manhã é dia útil para mim. Mas resolvi relaxar e deixar tudo para fazer à tarde, outro dia, sei lá, não é bom ficar em nenhuma camisa de força por causa das coisas da casa ou qualquer outra burocracia. Ninguém vai ficar doente, ninguém vai morrer, não vai acontecer nada. E passar um período agradável com pessoas que a gente gosta não tem preço. Período que vai até perto da hora do almoço....


E assim surgiu o GEP, parodiando o Grupo Especial de Performance – o André, um dos integrantes do grupo, disse que é o Grupo Especial da Padaria – e assim ficou. Agora é sagrado: saímos do treino do sábado e vamos à padaria comer pão na chapa com uma média, os mais lights vão no pão integral, frutas e suco de laranja. E as conversas são iguais as que rolam na mesa do bar sábado à noite, só que sem álcool!


Mas o importante é que o grupo está motivado, crescendo e tem todas as chances de continuar conhecendo novas padarias e novos cardápios todo sábado. O que é bem saudável para a mente, para o corpo e para o bolso. Até agora ninguém se aventurou a tomar uma branquinha com café....

quarta-feira, julho 02, 2008

Uma coisa é uma coisa, outra coisa é.....


Quase apanhei do dono do restaurante em Amalfi, na Itália, só porque eu perguntei o que vinha na salada. “Salada é salada, vem folhas verdes!!”, espantou-se ele. “Mas não vem tomate?”, repliquei. “Salada é salada, tomate é tomate, ECO! Você quer tomate ou quer salada?”

Não achei minha pergunta descabida, pois quando eu penso numa salada, imagino uma reunião de verduras e legumes diversos, como pepino, tomate, ervilha, milho, cenoura, beterraba, tudo que tiver na geladeira. Já que o prato completo era frango, batatas e salada, queria saber como era a salada, não custa perguntar.

Eu já estava me sentindo uma ignorante completa em gastronomia quando ele voltou e disse: “Vou colocar tomates na sua salada”, num tom de quem faz uma concessão. “Ah, muito obrigada, é que no Brasil a salada pode ser de várias maneiras, por isso eu perguntei”. Ele fez um ar de quem tinha certeza da minha ignorância e saiu de perto. Voltou com o prato de salada e tomates.

quarta-feira, junho 11, 2008

Teoria nem sempre é prática



Eu tenho uma teoria: todo mundo é mais flexível com o sexo oposto. Mãe com filho, pai com filha, irmão com irmã, chefe com subordinado, garçom com clientes do sexo feminino e por aí vai. Quando eu viajo para o exterior, já sei que o meu passaporte brasileiro não é dos mais bem-vindos. Por isso, quando chego na fila da polícia federal, escolho sempre uma na qual eu tenha de passar por um homem. As minhas experiências com as mulheres sempre resultaram em algum desconforto.

Achei que a máxima serviria sempre, inclusive no aeroporto de Atenas, ao passar minha mochila pelo raio X. Nas passagens anteriores, os policiais implicavam com meu xarope, já que ninguém pode embarcar com nenhum líquido ou substância cremosa. Mas era só mostrar que era remédio e me liberavam.

O fato é que eu tinha esquecido que eu também estava com um vidro de berinjela que eu havia comprado na Itália. De quebra, mais dois vidrinhos de patê de funghi com trufa – uma iguaria que nunca vi no Brasil, comprada com a maior alegria. Não deu outra: a máquina de raio X acusou as guloseimas na minha mochila, pois não eram sólidas.

Nem liguei, já tinha automatizado o gesto de abrir a mochila e tirar o xarope, dizendo: “Medicine”! Mas o fato é o que o chefe da inspeção achou mais de um vidro e sacou a berinjela que tinha comprado para minha mãe. “You can´t keep this, it´s liquid”, e colocou no lixo do aeroporto – queria eu ter acesso a tudo aquilo que eles confiscam dos passageiros.

Tentei argumentar, disse que tinha pouco líquido, só um pouquinho de azeite, mas ele foi inflexível e de quebra disse que tinha mais líquidos na minha bagagem. Logo pensei nos meus patês.....ai, que dor no coração! A sorte é que ele saiu de perto para verificar outra bagagem e fiquei nas mãos de outra policial, uma mulher. Ela viu os vidrinhos e eu implorei para ela não confiscar, não é nenhuma bomba, é para minha mãe, por favor, por favor, é tão pouquinho....Ela disfarçou, olhou ao redor, o chefe estava longe, colocou de volta na minha mochila e falou para eu ir embora rapidinho.

Ainda bem que na prática a teoria é outra.

quarta-feira, abril 02, 2008

A fila anda



A frase parece lugar-comum, mas é verdade. Em geral, anda mais rápido para os homens, que não conseguem ficar sozinhos, mas as mulheres estão se superando. Um bom exemplo vem da Júlia, mulher na faixa dos 30 anos, solteira. Ela tinha um amigo com o qual saía regularmente. Iam ao cinema juntos, às baladas, aos programas dos amigos, casamentos, eventos de família e até viagens. Mas não era uma amizade apimentada não, eram somente amigos. Só que todas as vezes que eles se despediam ficava aquele vazio no ar. Não faltava alguma coisa? Um beijo, um abraço mais apertado, sei lá, qualquer contato físico?


Ele nunca manifestou uma palavra a respeito. Ela, por sua vez, ficava inquieta. Como pode, conheço esse rapaz há cinco anos, saímos como namorados há seis meses e nada acontece? Vou ter de falar com ele.


Foram ao cinema. É hoje que eu falo, pensou ela. Logo depois do cinema ele propôs irem a um restaurante e já foi logo perguntando o que ela achou do filme, engatou num papo que não tinha fim. Ela ficou intimidada e perdeu a coragem. No dia seguinte, por telefone, a mesma coisa. Ele tinha um repertório de assuntos tão grande que não dava brecha para ela interromper. Não tinha clima. E assim foi, encontro após encontro, até que ela resolveu mandar um email dizendo que gostaria de ter um relacionamento com ele.


Silêncio mortal. Assim foi por vários dias, inclusive no final de semana, até que ele respondeu que sentia apenas amizade por ela. Deu a entender nas entrelinhas que não sentia atração.
A casa caiu, o mundo desabou, que droga de vida! Estragou a amizade também. Viajou para a praia com as amigas, precisava ficar longe. Na balada, conheceu outro coração partido, com quem ficou falando do nefasto a noite inteira. E ele falando da cretina que largou dele. Na mesma noite, trocaram um olhar diferente, de interesse genuíno um pelo outro. Atração. E ali mesmo começou uma história de amor que continua até hoje, vários meses depois. Graças ao falecido.

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Amigos virtuais



Amigos virtuais não são só aqueles que se conheceram pela internet e mantém como base este tipo de contato – seria normal, afinal eles se conheceram assim. Me refiro aos amigos reais que transferem o relacionamento para o mundo virtual.
Em tempos de trabalho exagerado e com toda a gama de oferta de mensagens instantâneas, fica mais prático manter os amigos na lista do msn e falar por ali mesmo, enquanto executamos outras tarefas. Pronto, não precisa mais telefonar nem marcar um encontro, pois já se atualiza tudo por ali.

Será que esta nova comunicação substitui as outras? O contato pessoal ficou em quinto plano: Primeiro o msn, depois o email, o torpedo e como último recurso o telefonema. Mas se a pessoa for muito especial vale um encontro de vez em quando. O olhar, a voz, expressão, o gesto, o toque, são de uma riqueza que se perde quando com os outros tipos de comunicação. Quem é jornalista sabe do que estou falando. Não dá para fazer uma entrevista importante, por exemplo, pelo telefone, por email, por torpedo ou por msn. É pessoalmente que se extrai a melhor parte da entrevista - a sutileza.
Sou totalmente a favor da praticidade, como o torpedo, o email, a mensagem instantânea, são todos ótimos para marcar encontros, dar recados, desmarcar o cinema, confirmar horários, avisar que chegou. Facilitam muito a vida sobrecarregada de todos nós, porém, eu ainda defendo que os amigos de verdade sempre conseguem apertar a agenda e encontrar um espaço para um café, pois nada substitui o contato pessoal. E não vale dizer: “me liga”, ou “qualquer dia a gente se vê”. É a mesma coisa que apertar a mão de alguém e dizer: “Um abraço”. Que tal marcar pelo menos um encontro por semana?

quinta-feira, janeiro 31, 2008

A nata de Piracanjuba

O contato com a cultura também é qualidade de vida. Mais um ponto a favor para as pequenas cidades do interior. Quando, em São Paulo, eu teria a oportunidade de ir a uma reunião da Academia Paulista de Letras, se eu não tenho nenhuma produção literária? Em Piracanjuba (GO) eu tive essa chance, pois meu tio Idelson é membro da Academia Piracanjubense de Letras. No dia que eu cheguei na cidade, fui convidada para a reunião na mesma noite.

O motivo era a análise da obra Devaneios de Insônia, de Laeste Antonio de Souza. Poesias inspiradas durante as noites de insônia do autor, levou um ano para terminar. São diversos temas, que vão de dúvidas existenciais ao amor platônico. Mas ele é um romântico contumaz, que poderia ter escrito sua obra de qualquer lugar do mundo, do Taiti à Patagônia, já que seus temas são universais. Mas ele se rende à alma piracanjubense com as referências ao relógio da cidade, nas páginas dedicadas ao Big Neno.

Foi um privilégio participar deste bate-papo. O grupo, formado por professores, estudantes, profissionais liberais e intelectuais da cidade, fez uma análise bastante construtiva para o autor, observando as tendências da obra e sua posterior utilização como ferramenta de ensino, já que a cidade precisa consolidar suas manifestações culturais junto aos jovens, que também estavam lá participando do encontro.

Espero que este grupo se torne cada vez mais forte e sirva de exemplo para outras regiões, pois iniciativas como esta são vitais para a preservação da cultura brasileira, que, se por um lado é das mais ricas do mundo, pode empobrecer se não for cultivada.

Cuidando da vida dos outros



Não há dúvida que nas cidades do interior é mais fácil ter qualidade de vida. As distâncias são mais curtas, o trânsito é tranqüilo, todos se conhecem, as portas das casas ficam abertas. Mas como todo o bônus tem o seu ônus, a intimidade demais também atrapalha. Ninguém pensa duas vezes antes de cuidar da vida do outro. Mesmo que este outro não pertença a cidade. Está ali, é do mesmo território.

Em Piracanjuba, interior de Goiás, é assim também. Lá tem um calçadão de 2.370 m, para ser bem exata, onde a população faz as saudáveis caminhadas pela manhã. Num sábado nublado, duas pessoas que visitavam a cidade resolveu conhecer o local. Andando lado a lado, eles conversavam, e depois de uns minutos a mulher deixou o homem sozinho e saiu correndo. O morador que passeava ali de bicicleta não teve dúvida: foi falar com o homem para saber por quê eles brigaram.

“Ô sô, ocê vai deixá a muié fugir assim? Não vai atrás dela não? Vai ficar parado aí? Vai lá!”
O homem respondeu: “Eu não corro atrás de mulher. Elas que corram atrás de mim!”
Só que o homem não explicou para o morador que ele era meu pai e que eu estava correndo para treinar. Deixou ele pensar o que ele quis.

segunda-feira, janeiro 14, 2008

Na mesma semana, céu e inferno




Cena irritante: Criaram o Poupa Tempo há dez anos, que descobri nesta semana que deveria se chamar Gasta Tempo. Para renovar a carta de motorista, levei um minuto para achar o site do Detran, uns cinco para achar a relação de locais credenciados para exame médico, uns 15 minutos para fazer o exame (contando com a espera, tinha duas pessoas na minha frente), e mais 15 para a provinha de direção defensiva e primeiros socorros. Mas lá se foram mais de quatro horas só para entregar os documentos no Perde Tempo. Uma hora para pegar a senha, três horas para ser chamada, 40 minutos para pagar a taxa do banco e mais 10 minutos para concluir o processo. Um sufoco, esse Joga Fora Tempo.

Cena de alívio: Na mesma semana, resolvi que viajar para Goiás, onde a febre amarela está preocupante. Descubro que a minha vacina venceu no ano passado e estou a 12 dias da viagem. Leio os jornais e vejo que o pânico tomou conta da população: 6 horas de fila no aeroporto de Congonhas e 4 horas em Guarulhos. Um telefonema salvador do meu pai resolve: o Instituto Pasteur, a 500 metros de casa, estava de plantão no domingo para aplicar a vacina. Fui preparada com livros e jornais para agüentar horas de fila, disposta a conseguir uma dose. Surpresa: ninguém do lado de fora do prédio. Entrei, ninguém na minha frente. Só me perguntaram se eu ia viajar e para onde. Pronto, em cinco minutos já estava imunizada. E nem doeu.

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Perdi o medo de brigadeiro


Sempre tive uma boa relação com a brigadeiro. Tanto que moro a duas quadras dela, passo por ela diariamente, a pé ou de carro. Mas nunca pensei em subi-la correndo, inteirinha, sem parar, como fazem os atletas que participam da São Silvestre. Nem pensar.

Acompanho a São Silvestre desde criança, um charme essa competição que atrai gente do mundo inteiro para fechar o ano em grande estilo. Um dia vou participar, mas preciso treinar antes. Perdi a inscrição de 2006, que raiva! Ano que vem não escapa. Fiquei atenta e fui uma das primeiras a garantir um lugar na prova de 2007.

A cidade toda estava ali, na Paulista, para correr ou para assistir a São Silvestre. Parecia uma festa: pessoas conversando, bebendo, rindo, encontrando amigos, fantasiadas para se diferenciar. Entrei no clima e corri com a Midori, para continuar tendo companhia na festa.

Na largada, deu tempo de conter o nervosismo, já que nem dava para correr. Foi meu aquecimento, e no caminho os vestígios de que ali realmente tinha acontecido uma festa: copos, garrafas, pedaços de roupas, restos de comida, um pé de chinelo e muito lixo. Tudo bem, no dia seguinte o pessoal da limpeza urbana dá um jeito.

Fui marcando o tempo, o primeiro quilômetro não vinha, nem o segundo, nem o terceiro.... só no sexto vi a marcação. Já fiquei perdida no meu ritmo. Segundo problema: sede. Naquele calor senegalês, a água só foi oferecida no quarto quilômetro. E quente! Fazer o quê, melhor que desmaiar. Quem está na corrida é para correr e não para passar mal.

Na metade do percurso, lá na avenida Pacaembu, me deu um certo cansaço. Pensei em desistir, o calor e toda aquela gente amontoada correndo estava me fazendo mal. Sorte que logo veio um posto de hidratação e entrei em cena com o meu power gel. Deu uma animada, a Midori não deu sinais de cansaço e me reanimei.

Antes mesmo de chegar à famigerada brigadeiro, no Largo São Francisco, os corredores começaram a gritar. Brigadeiro!!! Brigadeiro!!!! Acho que eles estavam chamando por ela ou queriam comer brigadeiro para agüentar a subida de 2 quilômetros. Me enchi de coragem, engatei a segunda e fui sem pensar. No mesmo ritmo. Quando eu percebi, já estava a duas quadras da Paulista. Consegui um pequeno sprint para alcançar a chegada com a marca de 1hora e 27 minutos. A festa não tinha acabado, mas a brigadeiro sim. Perdi o medo dela.

domingo, outubro 21, 2007

Odeio o horário de verão!



Me dá arrepio quando chega o mês de outubro. Mais ou menos na metade do mês, chega o horário de verão. Na teoria, parece fácil, é só dormir uma hora mais cedo e acordar uma hora mais cedo. Mas na prática é difícil dizer isso para o relógio biológico. Fico com sono na hora do almoço, com fome na hora de dormir, com a sensação que acabei de dormir na hora de acordar. Tudo bagunçado.

O Horário de verão nem funciona tão bem para os países próximos à linha do Equador, como o caso do Brasil, onde os dias e as noites têm duração semelhante. Mas ainda assim o governo garante que se economiza energia.

Em tempos de apagão anunciado, é uma causa que ninguém contesta, menos o corpo da gente. O apagão do metabolismo vem com tudo. Fico ranheta, de mau humor. Ah, mas você sai do trabalho com a luz do dia. Para quem trabalha em comunicação, não é bem assim. Me sinto na Escandinávia no inverno, onde ninguém vê luz do dia. Acordo no escuro e volto para casa no escuro.

Mas muita gente adora o horário de verão e aproveita para caminhar no fim do dia, andar de bicicleta, passear na rua e ter a sensação do sol da meia noite, que nunca se põe. Eu, se pudesse, só adotaria o horário de inverno, onde os relógios atrasam em uma hora. Isso sim que é vantagem, dormir uma hora a mais. O relógio biológico agradece.