segunda-feira, outubro 13, 2008

Ilha de prosperidade X Pânico




É interessante ver como a universidade parece ignorar a crise. Às vezes eles mencionam algum fato sobre a cobertura da imprensa, mas não dedicam muito mais que isso para falar do problema – não vejo ninguém preocupado com a situação.

Fora deste meio eu ainda não tenho muitos contatos, mas a mídia aqui demonstra pânico em todas as esferas. Se pegarmos como exemplo dois extremos, como o The Guardian, de esquerda, e o Daily Telegraph, da direita, enquanto o primeiro anuncia hoje um aporte financeiro nos bancos britânicos da ordem de 37 bilhões de libras e as conseqüências para o consumidor, o Daily Telegraph já garante que os bancos estão sendo estatizados.

O único banco que não recebeu ajuda do governo foi o Barclays (onde eu abri minha conta, obaaa!!!) pois tem recursos próprios para administrar a crise, da ordem de 6,5 bilhões, mas já anunciou que não vai distribuir dividendos para os acionistas no final do ano. Se ele não utilizar nenhuma ajuda financeira do governo, será o único banco privado completamente independente de todo o Reino Unido.

Sobre os efeitos a crise, o Daily Telegraph mostra que os casais de baixa renda estão fazendo menos programas fora de casa e estão priorizando a diversão no lar. A Domino Pizza aumentou suas vendas em 20%. Isso já está trazendo um novo baby-boom em terras britânicas, já que as lojas especializadas em enxovais e roupas para gestantes já registraram um aumento entre 20 e 46% no último mês de vendas. A economia agora terá seu preço mais tarde.....

domingo, outubro 05, 2008

Downgrade








Uma das coisas que mais detesto fazer é mudar. E depois de 17 dias que cheguei já tive de fazer isso. Ah, mas é pouco coisa que você tem, você foi só com duas malas....Mas acontece que as coisas deram cria. Comprei uma terceira mala, uma caixa de plástico para colocar os utensílios de cozinha e ainda precisei de sete sacolas! E mais dois sacos plásticos de 100 litros para acomodar os dois edredons e travesseiros. Impressionante como dá trabalho montar e desmontar uma casa com tão pouca coisa – só comprei aqui um lençol, um jogo de toalhas. Além disso, só tenho duas xícaras, dois copos, duas panelas, dois pratos e talheres para duas pessoas.

O melhor de tudo vai ser pagar menos e morar mais perto da universidade, 10 minutos a pé! Mas tudo tem seu preço: é bem menor e vou dividir a cozinha com cinco pessoas, diga-se, adolescentes....mas vou abstrair. Ou eu bato neles todos os dias ou eles que vão acabar comigo, hehehehe!

domingo, setembro 28, 2008

English Food


Eu e o povo que comeu até explodir - frutas e porcaritos




Quem não gosta de uma boca livre? A holandesa do meu curso falou que os holandeses são o povo que mais gosta de comer de graça – aliás, eles gostam de qualquer coisa gratuita. Até eu que sou mais boba......

No dia da aula inaugural, o departamento de comunicação ofereceu um coquetel. Um monte de porcaritos, claro, mas tinha muitas frutas, exóticas e locais. Como eles gostam de jantar cedo, o evento era às 17h00....mas o povo comeu até arrebentar, para não precisar jantar. Afinal, está todo mundo com as libras contadas....

Semana passada teve um churrasco aqui no condomínio. Não tinha picanha não, era lingüiça vegetariana, lingüiça de porco e hamburger....no pão! Isso é churrasco??? Tinha salada e frutas também, mas nem de longe parecia o nosso churrasco.

Aliás, comer bem é uma dificuldade aqui, pois nos pubs e restaurantes ingleses eles oferecem muitos sanduíches e os English Specials – rosbife com ervilhas e batatas fritas, lingüiça com purê, bacon com ovos e ervilha ou fish and chips – ou seja, tudo é frito e com acompanhamento de batata, cozida, assada, frita ou purê. De quebra tem ervilhas, para ser bem criativo e dar um ar saudável de verde no prato. Para comer algo diferente disso, tem que ser restaurante indiano, chinês ou italiano. É, gastronomia não é o forte da Inglaterra.

quinta-feira, setembro 25, 2008

Tem sol na Inglaterra

Eu no tour da universidade. O prédio que eu vou estudar não é tão bonito, sabem como é a prioridade que dão para a comunicação....fica no terceiro andar do prédio da engenharia....Abaixo, o Hyde Park e a pista de skate. Já comecei minhas caminhadas no parque, não é tão grande quanto o Ibirapuera mas pelo menos é despoluído, hehehehe!
Eles falam que aqui faz só cinco dias de sol por ano - Estou no lucro, pois peguei quatro dias de sol em uma semana!











segunda-feira, setembro 22, 2008

Studio Flat






Mais fotos do studio flat onde estou morando - felizmente, não precisei dividir com ninguém e até tem bastante espaço, deve ter uns 40 metros quadrados. Eu sinto falta das tomadas normais do Brasil, tive de comprar um plug para adaptar meus aparelhos elétricos e queria o meu liquidificador e da minha sanduicheira, mas eu me viro de outro jeito até voltar. Um professor disse que aqui só faz cinco dias de sol por ano - estou no lucro, pois já peguei três dias de sol! - aproveitei para tirar algumas fotos do parque e da cidade.


O banheiro é algo ridículo, não cabe meu shampoo e eu ao mesmo tempo. Bato os cotovelos nas parades para lavar o cabelo, tenho de me conter e lavar o cabelo com os braços bem unidos ao corpo. Assim dá certo.







domingo, setembro 21, 2008

Choque cultural






Ainda estou atrapalhada– parece que só saí de férias, a ficha não caiu – são tantas informações que tenho de absorver em tão pouco tempo que a sensação de longo prazo não chegou. Mas por enquanto o que mais faço é observar as diferenças culturais. Algumas eu já sabia, como a obsessão de falar sobre o tempo, e o pior é que nem sei porquê, nunca muda! Perguntar sobre o tempo para um inglês é a mesma coisa que se indagar se o filho dele está bem. Eles até mudam de humor. Sempre faço isso quando chego na imigração, e desta vez não foi diferente, tanto que nem me pediram todos os documentos que levei.

À parte a complexidade do vocabulário sobre o tempo, a vida deles é muito prática. Limpeza é toda feita por cima, no flat que eu moro encontrei umas teias de aranha que nunca tinham visto uma brasileira antes, caso contrário estariam lá até agora. No supermercado, não tem guarda-volumes, e invariavelmente eu entro cheia de sacolas e ninguém fala para fechá-las. Fico angustiada, elas me atrapalham para fazer compras, mas eles não mexem uma palha para guardar nada. Nem por medo de roubo.

Na palestra da universidade sobre saúde, eles recomendam procurar um farmacêutico antes de procurar um médico. Surpresa – e ainda listam todos os casos que o médico deve ser poupado de pacientes, como os casos de vômito, diarréia, dor de cabeça, febre, gripe, dor de barriga, pequenos cortes. Ele está habilitado para orientar o melhor procedimento. Igual no Brasil.... só que os médicos não gostam nem um pouco da idéia.

Peguei um ônibus e perguntei ao motorista quanto custava a passagem. Ele disse que eu que devia dizer. Que engraçado, se me perguntar eu vou de graça. Ele percebeu minha surpresa e perguntou para onde eu ia. Falei o nome do lugar que estou morando e ele disse que não tinha idéia de onde ficava o lugar. A fila crescendo atrás de mim. Repeti o nome, pois achei que ele não entendia nada de pronúncia brasileira. Ele continuou sem saber e o pessoal da fila olhando feio, impaciente, até que ele se tocou e me cobrou 1 pound e 15 centavos. Sei lá se estava certo, só sei que da próxima vez vou dizer 50 centavos!

sexta-feira, agosto 08, 2008

Padaria virou boteco


Uma das coisas que eu mais gosto de fazer é bater papo com os amigos. Tanto faz se é na minha casa, na pizzaria, na casa deles ou na mesa do bar. Mas com essa prática de corrida, não combina muito sair à noite, voltar tarde e acordar cedo para correr. O que piorou com a lei seca. Porém, surgiu uma possibilidade que eu nunca tinha pensado: café da manhã na padaria.


Todos os sábados de manhã (não vou nem falar o horário para não pensarem que sou louca) eu corro com o grupo Run For Life na USP. Não sei bem como começou, mas num dia que eu faltei alguém teve a idéia de ir para a padaria. Na semana seguinte, quiseram repetir a dose. Eu tinha diversas coisas para resolver, pois sábado de manhã é dia útil para mim. Mas resolvi relaxar e deixar tudo para fazer à tarde, outro dia, sei lá, não é bom ficar em nenhuma camisa de força por causa das coisas da casa ou qualquer outra burocracia. Ninguém vai ficar doente, ninguém vai morrer, não vai acontecer nada. E passar um período agradável com pessoas que a gente gosta não tem preço. Período que vai até perto da hora do almoço....


E assim surgiu o GEP, parodiando o Grupo Especial de Performance – o André, um dos integrantes do grupo, disse que é o Grupo Especial da Padaria – e assim ficou. Agora é sagrado: saímos do treino do sábado e vamos à padaria comer pão na chapa com uma média, os mais lights vão no pão integral, frutas e suco de laranja. E as conversas são iguais as que rolam na mesa do bar sábado à noite, só que sem álcool!


Mas o importante é que o grupo está motivado, crescendo e tem todas as chances de continuar conhecendo novas padarias e novos cardápios todo sábado. O que é bem saudável para a mente, para o corpo e para o bolso. Até agora ninguém se aventurou a tomar uma branquinha com café....

quarta-feira, julho 02, 2008

Uma coisa é uma coisa, outra coisa é.....


Quase apanhei do dono do restaurante em Amalfi, na Itália, só porque eu perguntei o que vinha na salada. “Salada é salada, vem folhas verdes!!”, espantou-se ele. “Mas não vem tomate?”, repliquei. “Salada é salada, tomate é tomate, ECO! Você quer tomate ou quer salada?”

Não achei minha pergunta descabida, pois quando eu penso numa salada, imagino uma reunião de verduras e legumes diversos, como pepino, tomate, ervilha, milho, cenoura, beterraba, tudo que tiver na geladeira. Já que o prato completo era frango, batatas e salada, queria saber como era a salada, não custa perguntar.

Eu já estava me sentindo uma ignorante completa em gastronomia quando ele voltou e disse: “Vou colocar tomates na sua salada”, num tom de quem faz uma concessão. “Ah, muito obrigada, é que no Brasil a salada pode ser de várias maneiras, por isso eu perguntei”. Ele fez um ar de quem tinha certeza da minha ignorância e saiu de perto. Voltou com o prato de salada e tomates.

quarta-feira, junho 11, 2008

Teoria nem sempre é prática



Eu tenho uma teoria: todo mundo é mais flexível com o sexo oposto. Mãe com filho, pai com filha, irmão com irmã, chefe com subordinado, garçom com clientes do sexo feminino e por aí vai. Quando eu viajo para o exterior, já sei que o meu passaporte brasileiro não é dos mais bem-vindos. Por isso, quando chego na fila da polícia federal, escolho sempre uma na qual eu tenha de passar por um homem. As minhas experiências com as mulheres sempre resultaram em algum desconforto.

Achei que a máxima serviria sempre, inclusive no aeroporto de Atenas, ao passar minha mochila pelo raio X. Nas passagens anteriores, os policiais implicavam com meu xarope, já que ninguém pode embarcar com nenhum líquido ou substância cremosa. Mas era só mostrar que era remédio e me liberavam.

O fato é que eu tinha esquecido que eu também estava com um vidro de berinjela que eu havia comprado na Itália. De quebra, mais dois vidrinhos de patê de funghi com trufa – uma iguaria que nunca vi no Brasil, comprada com a maior alegria. Não deu outra: a máquina de raio X acusou as guloseimas na minha mochila, pois não eram sólidas.

Nem liguei, já tinha automatizado o gesto de abrir a mochila e tirar o xarope, dizendo: “Medicine”! Mas o fato é o que o chefe da inspeção achou mais de um vidro e sacou a berinjela que tinha comprado para minha mãe. “You can´t keep this, it´s liquid”, e colocou no lixo do aeroporto – queria eu ter acesso a tudo aquilo que eles confiscam dos passageiros.

Tentei argumentar, disse que tinha pouco líquido, só um pouquinho de azeite, mas ele foi inflexível e de quebra disse que tinha mais líquidos na minha bagagem. Logo pensei nos meus patês.....ai, que dor no coração! A sorte é que ele saiu de perto para verificar outra bagagem e fiquei nas mãos de outra policial, uma mulher. Ela viu os vidrinhos e eu implorei para ela não confiscar, não é nenhuma bomba, é para minha mãe, por favor, por favor, é tão pouquinho....Ela disfarçou, olhou ao redor, o chefe estava longe, colocou de volta na minha mochila e falou para eu ir embora rapidinho.

Ainda bem que na prática a teoria é outra.

quarta-feira, abril 02, 2008

A fila anda



A frase parece lugar-comum, mas é verdade. Em geral, anda mais rápido para os homens, que não conseguem ficar sozinhos, mas as mulheres estão se superando. Um bom exemplo vem da Júlia, mulher na faixa dos 30 anos, solteira. Ela tinha um amigo com o qual saía regularmente. Iam ao cinema juntos, às baladas, aos programas dos amigos, casamentos, eventos de família e até viagens. Mas não era uma amizade apimentada não, eram somente amigos. Só que todas as vezes que eles se despediam ficava aquele vazio no ar. Não faltava alguma coisa? Um beijo, um abraço mais apertado, sei lá, qualquer contato físico?


Ele nunca manifestou uma palavra a respeito. Ela, por sua vez, ficava inquieta. Como pode, conheço esse rapaz há cinco anos, saímos como namorados há seis meses e nada acontece? Vou ter de falar com ele.


Foram ao cinema. É hoje que eu falo, pensou ela. Logo depois do cinema ele propôs irem a um restaurante e já foi logo perguntando o que ela achou do filme, engatou num papo que não tinha fim. Ela ficou intimidada e perdeu a coragem. No dia seguinte, por telefone, a mesma coisa. Ele tinha um repertório de assuntos tão grande que não dava brecha para ela interromper. Não tinha clima. E assim foi, encontro após encontro, até que ela resolveu mandar um email dizendo que gostaria de ter um relacionamento com ele.


Silêncio mortal. Assim foi por vários dias, inclusive no final de semana, até que ele respondeu que sentia apenas amizade por ela. Deu a entender nas entrelinhas que não sentia atração.
A casa caiu, o mundo desabou, que droga de vida! Estragou a amizade também. Viajou para a praia com as amigas, precisava ficar longe. Na balada, conheceu outro coração partido, com quem ficou falando do nefasto a noite inteira. E ele falando da cretina que largou dele. Na mesma noite, trocaram um olhar diferente, de interesse genuíno um pelo outro. Atração. E ali mesmo começou uma história de amor que continua até hoje, vários meses depois. Graças ao falecido.