quinta-feira, junho 14, 2007

Igualdade desigual


Talvez eu seja parte interessada, mas tenho certeza que a vida das mulheres é mais injusta que a dos homens. Por vários motivos. Por mais que os direitos iguais evoluam, o mundo é masculino – e machista. Os homens continuam ganhando salários mais altos que as mulheres, nas mesmas funções.
Só porque mulher tem filhos, tem TPM, é mais complexa e mais sensível? Por isso mesmo deveria ganhar mais. Veja só as nossas necessidades: roupas a cada estação, porque a do ano anterior já está em desuso. Sapatos atualizados também. Bolsas com novos materiais representando novas tendências. Batons na cor do inverno, batons na cor do verão. Unhas feitas semanalmente, depilação mensal, meias finas que desfiam só de olhar. Cremes para o rosto, para o corpo, para as mãos e para os pés. Cabeleireiro para a escova, tintura, corte e hidratação. É mole? E ainda tem a menstruação, a gravidez, o parto e a maior responsabilidade com a educação dos filhos.
Os homens, quanto mais peludos, melhor. Não precisam de maquiagem, roupas novas a cada estação e cortam o cabelo a cada três meses. Não precisa combinar o sapato com o cinto, não usam bolsa. Por que eles precisam ganhar mais do que nós?
E o pior é que, se não seguirmos essa cartilha de direitinho, não somos femininas. Não somos atraentes, cuidadosas, não cuidamos dos nossos relacionamentos. De quebra, temos que ser boas na cama, na mesa, nas compras do supermercado e na administração da casa. Ufa! Na próxima vez quero ser homem! Como é que eles ainda querem dividir a conta do restaurante com a gente?

domingo, maio 13, 2007

Nomes aos bois



Quando ouço a expressão “precisamos dar nomes aos bois”, fico pensando na necessidade que a sociedade tem de rotular as pessoas. “O José, aquele loiro?”, “A Viviane, uma magrinha?”, “O Luís, aquele baixinho?”. Porém, sinal dos tempos, com a quantidade astronômica de divórcios e famílias desfeitas – a última estatística que eu soube é que quase 50% dos casamentos acabam em separação – surgem novas relações entre as pessoas que ninguém ainda consegue classificar.

Por exemplo, se um casal que já tem filhos de um casamento anterior se casa – o que os filhos deles são uns dos outros? Não tem nenhum grau de parentesco, mas se eles forem morar juntos, levarão uma vida em família. Mas não são irmãos, nem meio irmãos, nem amigos, nem inimigos, eles são o quê? Como se apresentam aos amigos, o filho do marido da minha mãe? Poderia ser irmão do segundo casamento, irmão postiço ou mesmo irmão temporário. Afinal de contas, ninguém tem garantia que esse casal vai ficar junto para sempre. Como os brasileiros gostam de nomenclatura em inglês, poderia ser brother ou sister.

Neste mesmo caso, qual seria a nomenclatura que a mulher do pai destas mesmas crianças teria? Madrasta? Não, madrasta pressupõe que a criança não tenha mãe ou não mora com ela. É nome que já vem carregado de maldade, tem “má” no início. Mas na falta de outro, vai todo mundo usando esse mesmo. O mesmo vale para o padrasto.

E os pais do casal, assumem as crianças da nova nora ou novo genro como netos? Ou netos postiços? Até hoje eu não sei como classificar a madrasta do meu pai, até porque ela nunca me disse que eu era neta dela – “Esta é a filha do Antonio, meu enteado, o filho do Jerônimo”. Por falta de nomes aos bois as pessoas gastam uma frase inteira para explicar quem é aquela pessoa – não seria melhor criar novos nomes? No lugar de criar nomes como printar, drivar ou deletar, que têm equivalentes em português, os criativos brasileiros poderiam criar nomes para novas relações. Afinal, são poucos os que escapam desta nova realidade.

quinta-feira, abril 12, 2007

Mistura para a janta


"Vou sair do serviço mais cedo para fazer a janta do meu marido, não tem mistura em casa hoje", disse a minha amiga.
Fiquei pensando na frase e algo não soou bem. Mistura? Leia-se carne, que pode ser peixe, frango, boi, porco, coelho, peru. Há os que classificam de mistura os acompanhamentos, como oslegumes, o purê, as batatas. E também os que falam do arroz e feijão, já que mistura tudo no prato.
Sei lá, só sei que eu nasci em São Paulo e aprendi a falar deste jeito também, meus pais falam assim, mas o fato e que comecei a pensar que não faz sentido. Minha irmã que mora em Belém disse que ninguém sabe o que é mistura por lá.
A bem da verdade, nunca ouvi ninguém falar deste jeito fora do estado de São Paulo. Melhor dizer acompanhamento, guarnição ou mesmo carne. Direto ao assunto. A mesma coisa é a janta. Sempre falta um R. “Tem janta hoje?”, não, tem jantar. O Aurélio me deu apoio nisso. Janta somente a terceira pessoa do singular do verbo. E o serviço pode ser substituído pelo trabalho, que é mais moderno. Quem está no serviço provavelmente atua numa firma, e não numa empresa. Será que essa pessoa tem freguês? Quem está na área comercial de uma empresa tem clientes. Daqui a pouco, eles vão evoluir para parceiros de negócios.
Na escola, a gente falava que tinha aula de física. Não se trata de cálculos estruturais, mecânica, óptica, nada disso, era esporte mesmo, ou seja, aula de educação física, o que gera uma certa confusão. E o iogurte era o danone, já que era a única marca do mercado. Termo que ninguém usa mais hoje pelo mar de opções que disputam hoje as prateleiras dos supermercados. Nada disso está errado, a lingüística existe para dizer que o importante é se fazer entender. Mas acho que vale a pena uma reflexão sobre o nosso vocabulário. Afinal de contas, a língua é dinâmica e não é de todo mal acompanhar as mudanças. Agora com licença que vou fazer uma laranjada para o patrão.

domingo, março 04, 2007

Do Circuito Elizabeth Arden para a trilha Ho Chi Mihn


Quem não gosta de ficar num hotel luxuoso num país de primeiro mundo, onde se vê pouca desigualdade social, taxas de desemprego marginais e progresso constante? Pois é. Nos últimos dez anos era essa a minha realidade profissional. Viajava para Amsterdã, Berlim, Roma, Edimburgo, São Francisco, Nova York, Boston, Montreal. Tratamento educado, cobertura de assuntos exclusivos e condições de trabalho de primeira.

Não que essas condições fossem essenciais para o trabalho, mas que era agradável, não resta dúvida. Para minhas viagens de férias, não precisa tanto. Basta um local limpo e um banheiro adequado e pé na estrada.

Agora a realidade é outra. Acabou o circuito Elizabeth Arden e começou a trilha Ho Chi Mihn, uma nova fase na carreira. Como todas as experiências na vida, essa é igualmente importante, embora menos glamourosa. Indústria pesada, pó, mau cheiro, pé na terra, dificuldade de acesso. Hotéis barulhentos, malcuidados, comida sofrível fazem parte desta realidade.

Parecem que os opostos se atraem e num certo momento até se fundem. O circuito Elizabeth Arden deve ter sido a trilha Ho Chi Mihn um dia, toda inversão é possível – basta lembrar o que aconteceu com a charmosa New Orleans depois do furacão Katrina. Porém, não esqueço da minha professora de história da arte que dizia: “Para interpretar uma santa, uma atriz tem que saber como é a prostituta”. É assim que eu me sinto: vivendo agora o outro lado para elaborar a síntese.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

E viva a simplicidade (parte 2)


Texto que recebi pela internet:



ANOTAÇÕES DOS DIÁRIOS DE UM CASAL NO MESMO DIA

O Diário DELA:
No sábado à noite ele estava estranho. Combinamos de nos encontrar no bar para tomar um drink. Passei a tarde toda nas compras com as minhas amigas e pensei que pudesse ser por minha culpa, porque me atrasei um pouquinho . Mas ele não fez grandes comentários. A conversa não estava muito animada, de maneira que pensei em irmos a um lugar mais íntimo para podermos conversar melhor, em particular. Sugeri um restaurante e ele continuou agindo de modo estranho . Tentei animá-lo e comecei a pensar se seria por minha causa ou outra coisa qualquer. Perguntei, e ele disse que não era eu . Mas não fiquei muito convencida. No caminho para casa, no carro, disse-lhe que o amava muito e ele limitou-se a por o braço por cima dos meus ombros. Não sei que raios quis dizer com isso, porque não disse que me amava também, nem nada . Eu estava ficando mesmo preocupada. Finalmente chegamos em casa e eu já estava pensando se ele iria me deixar!!! Por isso tentei fazê-lo falar, mas ele ligou a televisão, e sentou-se com um olhar distante que parecia estava me dizendo que estava tudo acabado entre nós . Por fim, embora relutante, disse que ia me deitar... Mais ou menos 10 minutos depois ele foi se deitar também e, para minha surpresa, correspondeu aos meus avanços e fizemos amor . Mas ainda parecia muito distraído. Quis confrontá-lo e falar sobre isso, mas comecei a chorar e chorei até adormecer . Já não sei o que fazer. Tenho quase a certeza que ele tem alguém e que a minha vida é um autêntico desastre.

O Diário DELE:
- Sábado meu time perdeu. Ainda bem que dei umazinha.

terça-feira, janeiro 16, 2007

E viva a simplicidade!




Cena 1: “Deixa que eu lavo a louça do almoço pra você, querida”. A mulher concorda. Depois de acumular a louça do jantar e do café da manhã do dia seguinte, quando não tem nem um copo limpo para beber água, ele vai para o restaurante.

Cena 2: A TV quebrou e precisa ir para o conserto. O homem, todo solícito, tira a TV do lugar e leva para a assistência técnica. Mas não há lente de aumento que o faça perceber que tem uma camada de pó acumulada de cinco anos embaixo da TV, que a faxineira nunca limpou. Ele tira o aparelho e não se dá ao trabalho de olhar o que tinha embaixo dela: uma família de ácaros com cinco gerações.

Cena 3: O namoro não deu certo. O homem termina secamente, ou nem termina, pára de ligar e pronto, frita a coitada no óleo morno. Mas jamais apaga o email ou o telefone dela. Vai saber se vai ter algum período de vacas magras.

Não adianta! Mulheres e homens são diferentes. Em todas as situações acima, o comportamento da mulher é o oposto. Ela é complexa, vai a fundo em tudo, tem milhares de conflitos existenciais que acabam com a resistência dela. Quem pensa muito sofre mais, não tem jeito, às vezes eu acho que a ignorância é uma bênção. Olho para o Tobias, o cachorro: não está nem aí com o buraco da Marginal onde cabe um Maracanã inteiro, se o trânsito piorou, se as enchentes do Rio de Janeiro ou Minas Gerais vão chegar a São Paulo. O importante é ter comida e uma bolinha para brincar.

Eu quase tenho inveja dos homens neste ponto. É tudo tão mais simples, não precisa de tanta roupa, sapato, bolsa, batom, depilação, unhas feitas, escova progressiva, tintura, tratamento para celulite. Basta ter sexo, cerveja gelada, sexo, carro, sexo e amigos ... A boa notícia para nós, mulheres, é que se eles não enxergam a sujeira do fogão, pode ser que não reparem nas celulites e nas estrias. Nós é que nos preocupamos com coisas que eles nem sempre percebem.

sexta-feira, dezembro 29, 2006

Espírito natalino



Parece o fim do mundo. Correria, prazos apertados, estoque de comida. Tudo fica pior em dezembro: o trânsito, o humor, a pressão, o trabalho, o supermercado, os consultórios médicos, a conta do banco. A síndrome do Natal começa em novembro e só termina depois do almoço do dia 25. Por que será que tudo tem que acontecer até o dia 24? Não pode ficar nada para o dia 26? Até os amigos têm que se encontrar em dezembro: Pois é, vamos ver se a gente se encontra antes do Natal? Para não passar em branco, né?

Às vezes esses mesmos amigos ficam o ano inteiro sem se ver, mas têm que se encontrar antes do Natal... E daí vem a explicação para aqueles quilos a mais. Duvido que alguém engorde tanto por comer um pouco a mais no dia da ceia. Mas quase todos os dias de dezembro comemorando no almoço e no jantar com os amigos, com a família, na festa da firma, não tem boa forma que resista. Ah, mas no Natal pode comer uma rabanada, um torresminho, né? Como se fosse uma data à prova de engorda.

Parece que esta época serve de desculpa para tudo. Aqueles que não conseguem dar a menor atenção para os outros é porque estão trabalhando muito, comprando presentes ou preparando comida. Tudo isso para quê? Para passar um dia. O pior é que no meio deste caos todo mundo ainda é obrigado a ser feliz, porque é Natal, oras.

Um mês de horror para passar um dia feliz. Isso quando dá tudo certo, quando a família é unida e colaborativa. O que mais tem por aí é uma pessoa da família convidando os demais e ninguém nem pensa que precisa participar, no sentido amplo da palavra. Será que quem recebe as pessoas gosta de passar horas no supermercado lotado e depois passar horas no fogão cozinhando?

E não pára por aí, tem gente que reclama que o peru estava seco e vai embora à seco também, nem se oferece para lavar a louça. Enfim, mas é Natal, então tem que ser feliz, mesmo que você fique tão cansado que não consiga nem ficar acordado até a meia-noite. Será que é esse o espírito de Natal que tanto falam?

Jingle bells, batman smells, Robin flies away.....

segunda-feira, dezembro 04, 2006

O táxi tem ouvidos


Eu sempre achei que jornalistas eram as pessoas mais bem-informadas. Mas acho que estamos perdendo espaço para outra categoria, a de motorista de táxi. O jornalista entende daquilo que ele se propõe a escrever e vai atrás das melhores fontes para levar informações aos leitores. O motorista, não. As fontes é que vão atrás dele. As pessoas pegam um táxi ou um transporte da empresa e agem como se houvesse um piloto automático dirigindo o carro, relatando entre si desde fatos íntimos até informações confidenciais das empresas.

Como informação parada não serve para nada, o negócio e levar adiante. Já que as informações chegaram sem pedir licença, elas vão embora da mesma forma. Pelos motoristas, dá para descobrir o melhor restaurante, onde fazer compras gastando pouco, o novo hotel que foi inaugurado, como está sendo a atuação do prefeito e o andamento das obras da cidade.

Mas eles também podem ser os mensageiros do azar. São os primeiros a saber se a empresa vai fazer corte de pessoal e disseminam o pânico antes mesmo de a boataria começar nos corredores. Conheço uma empresa que proibiu os funcionários de conversar com os motoristas.

Exageros à parte, as pessoas tendem a se abrir com alguns profissionais, especialmente aqueles que ficam muito tempo com a gente. Os médicos dificilmente entram nesta classificação, mas quem nunca contou a briga com o namorado para a cabeleireira, ou uma dificuldade profissional para a secretária. São várias as categorias que sabem de tudo.

As pessoas vão continuar confiando no sigilo dos interlocutores, mesmo sem nunca ter visto o indivíduo antes – imaginam que a pessoa não tem motivos para passar as informações para frente por não conhecer ninguém do mesmo círculo. Mas, pelo sim pelo não, eu sempre tenho em mente que o mundo é pequeno, só deve ter umas 80 pessoas – é mentira que tem 6 bilhões de habitantes.

domingo, novembro 12, 2006

Amarelo a toda prova

Eu torci para o domingo amanhecer chuvoso, mas o dia estava perfeito. Sol claro, nenhuma nuvem, temperatura amena, perfeita para correr! É, no fundo, eu estava com medo de fazer feio
feio na minha primeira corrida de rua, 10 quilômetros – não poderia ser uns
cinco? Nunca consegui cumprir 10 quilômetros na esteira e, segundo meu treinador, é bom
correr na academia pelo menos 50% a mais da distância na rua, em função dos
obstáculos. Chegando lá, descobri o quanto é importante o estímulo do ambiente e por que não dava para ficar mais que 40 minutos na esteira. O pior é acordar às 6h30 da manhã no domingo, mas vencida esta etapa da cama que não quer me largar, tudo é festa. Antes mesmo de chegar, já se vê um mar de camisetas amarelas da Nike na rua. Pessoas alegres, em grupos, alongando, tomando água e opps! Preciso ir ao banheiro antes de começar. Senão, só daqui a duas horas.

Parecia o banheiro do cinema depois da sessão: filas e mais filas. Já eram 8h00, início da prova. “Acho que vai atrasar, senão essa gente não estava aqui”, pensei. Doze minutos depois, eu ainda na fila, passou o Fábio correndo – ele já estava na metade do percurso e eu ainda na fila do banheiro! Tudo bem que ele ganhou a corrida, mas já pensei que por causa do xixi eu seria impedida de correr. “Vamos agilizar o xixi”, gritavam as pessoas.

Cheguei na largada às 8h23. Ninguém me pediu nada, nem me impediu de correr. Beleza. Vamos lá. Dois quilômetros depois, a banda cover U2 Brasil estava incentivando os participantes. Nada mau, correr ao som de “Vertigo”. Depois do quinto quilômetro, ouvi o som de “Day Tripper” , cantado pelo Beatles Forever. Até acelerei o passo.

Como o mundo não é só feito de rock, a bateria da escola de Samba Rosas de Ouro colocou o seu batuque para incentivar os mais ofegantes, e quem já tinha completado a prova voltava para dar força aos retardatários. Com tanto estímulo ao redor, cheguei ao final da prova como se estivesse caminhando no parque – depois de uma hora e dez minutos, tive uma sensação de vitória e me animei para as próximas. Da próxima vez, não vou amarelar.


domingo, novembro 05, 2006

Um letiste, por favor!

Visitar um país em que se fala uma língua alienígena é um desafio. Como fazer as pessoas entenderem o que eu preciso sem trocar uma única palavra? O meu sonho de conhecer Praga, capital da República Tcheca, tinha este porém. Mesmo de posse de um dicionário, não dá para imaginar como pronunciar palavras com quatro consoantes juntas. Como é que eu vou pedir um sorvete? – zmrzlina!!

A boa notícia é que muitas vezes não precisamos falar. Os tchecos também acham nossa língua tão impronunciável quanto o inglês, o espanhol e o francês. Quer um sorvete? Aponte na vitrine que o balconista vai saber o que você quer. Comprou uma água na rua e quer entrar no supermercado? Dirija-se ao segurança e mostre o produto, ele providencia uma etiqueta e ninguém vai te cobrar duas vezes.

Quando dá tudo certo, não há nenhuma necessidade de trocar uma só palavra, nem na imigração. Basta entregar o passaporte e o seu interlocutor mal olha para você. Mas em pelo menos um momento lamentei não ter feito um curso rápido de tcheco. Foi quando precisamos de um táxi às 4 da manhã para pegar um vôo de volta para o Brasil. Combinemos com o taxista que nos trouxe do aeroporto quando chegamos, bem no estilo “Mim Tarzan – you Jane” - a nos buscar na volta às 4h00 da manhã. “No probleme, no probleme”, garantia ele.

Só que na hora combinada chegou outra pessoa no lugar do Yivî, cujo nome não consigo pronunciar. Devia ser o irmão, amigo ou qualquer um que precisava ganhar 30 dólares. O carro nem era táxi e o meu medo era quebrar no caminho. Nem deu tempo de pensar muito se a gente aceitava ou não a nova condição.

Acontece que estava chovendo, o caminho era escuro e começamos a achar que estava passando muito dos 20 minutos que o recepcionista do hotel disse que levaria até o aeroporto. Começamos a nos preocupar e a nos arrepender. E se ele nos levasse para qualquer outro lugar? E se tivesse uma arma? E se fizesse parte de uma quadrilha? Perguntávamos se o aeroporto estava perto e ele respondia “no”. Estava longe então? “no”. Aí ele se encheu e parou de responder qualquer pergunta em língua alienígena.

Eu e o Zeca já estávamos combinando quem ia pegar no volante e quem ia agarrar no pescoço do motorista quando vimos uma placa salvadora: letiste (com o símbolo internacional dos aeroportos, um avião). O maluco nos deixou no desembarque, na chuva, pegou o dinheiro e se arrancou – afinal, estava louco para gastar as 600 coroas que o casal de turistas deu para ele. E sem trocar uma palavra.